Olhando a Sala de Ensino Bilíngue

“Nietzsche disse que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. É a primeira tarefa porque é através dos olhos que as crianças, pela primeira vez, tomam contato com a beleza e o fascínio do mundo. Os olhos têm que ser educados para que a nossa alegria aumente.”
Rubem Alves

Pare. Olhe ao seu redor. O que você vê? Qual a mobília ao seu redor? O que há nas paredes? O local em que você se encontra possui luz natural? Artificial? Como este local faz você se sentir?

Pode parecer simples demais a princípio, mas o espaço (físico, referindo ao local dedicado às atividades e caracterizado por objetos, materiais didáticos, mobiliário e decoração) e o ambiente (o conjunto do espaço físico e as relações sociais que se estabelecem nele) de aulas influenciam e muito no aprendizado. Desde questões básicas como conforto, organização e praticidade a até mesmo o sentimento de pertencimento – tudo muda a forma como o aluno aprende (ou não) a matéria.

Segundo a teoria da Inteligência Múltipla (Gardner, 1975), cada pessoa possui formas únicas de aprender, sendo que algumas pessoas são mais visuais, lógicas, auditivas, espaciais, intrapessoais ou interpessoais, entre outras. Se pensarmos em crianças, veremos que em sua maioria são aprendizes visuais (necessitam de reforço de imagens e cores) e corporal-cinestésicos (necessitam de movimento), sendo que a sala de aula deve ser preparada de acordo. O que isso significa em termos de aulas de inglês? Um espaço amplo, no qual diferentes montagens de cadeiras sejam possíveis, com possibilidade para criações de estações (especialmente para crianças menores) para que os alunos possam se movimentar através das atividades realizadas pelo professor, favorecendo também sua autonomia como agentes de seu próprio aprendizado. Paredes com pôsteres, trabalhos realizados anteriormente também são importantes para tornar o ambiente um local acolhedor, propiciando experiências perceptivas, e trazendo identificação para as crianças, que verão nas paredes uma contribuição sua –porém em sua medida, uma vez que o excesso também gera estranhamento ao aluno: imagine-se entrando em uma sala recheada de cores e formas, como você se sentiria?

Uma das maiores vantagens de oferecer aos alunos um espaço dedicado para as aulas de ensino bilíngue está na mudança de ambientes: a criança entende que “saiu” do mundo do português e agora entrou no mundo do inglês. Da porta para dentro, deve seguir as regras aplicadas pelo professor de inglês e deve falar um novo idioma com ele e seus colegas. Esta imersão no universo do inglês auxilia o aprendizado, uma vez que prepara as crianças para o que está por vir, deixando-as dispostas para a aula.

Nem por isso utilizar um espaço compartilhado deve ser descartado. Sendo a única possibilidade de diversas instituições, resta apenas fazer um planejamento para que o ambiente esteja preparado para as aulas tanto de inglês quando de outras matérias utilizando os mesmos recursos mencionados anteriormente, entre decoração, mobiliário e objetos de produção dos próprios alunos.

Coisas a manter em mente:

– Minha sala tem espaço para movimentação dos alunos? Há possibilidade de mover as carteiras para que eles possam trabalhar em grupos ou pares? É possível realizar atividades que exijam movimento?

– Minha sala possui espaço para exibição dos trabalhos de meus alunos? Minha escola o possui?

– Há espaço de exibição para auxílios visuais na sala, como pôsteres, cartazes, realia?

– Para as crianças menores, minha sala possui itens que estimulem seus sentidos? Não apenas o visual, mas também o olfato, o tato. Quantos mais sentidos estimulados ao mesmo tempo, melhor o aprendizado.

Seguindo estas dicas, você estará oferecendo aos seus alunos um espaço ideal para o ensino!

 

Adriana Monteiro
Coordenadora Pedagógica
2Ways Programa Bilíngue

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