Aspectos positivos e negativos da conectividade

Comprovado pelo número de expositores nas últimas grandes feiras, presenciamos o surgimento de uma grande quantidade de empresas de tecnologia destinadas ao mercado educacional. A educação básica, que historicamente sempre esteve um passo atrás das inovações tecnológicas, voltou seus olhares para estas práticas inovadoras pela necessidade de aprimorar a qualidade pedagógica devido a reivindicações dos alunos e em busca de um diferencial em um mercado cada vez mais competitivo.

Por ser tudo muito novo, ainda há muitas dúvidas sobre onde, como e em qual intensidade devem-se implantar os recursos tecnológicos.

As dúvidas começam pelo fato de não existir um consenso sobre a influência das novas práticas relacionadas à Internet serem prejudiciais ou benéficas para a vida das pessoas.

Mediante a este debate, algumas escolas radicalizaram e excluíram de suas atividades a utilização de computadores, tablets e celulares. Estas instituições alegam que o aluno precisa de contato com o mundo real.

Por outro lado, outras escolas tornaram-se excessivamente high-techs e passaram a fornecer informações de matrículas somente pelo site.

Segundo o neurocientista Fernando Louzada, “o uso da tecnologia pode trazer benefícios, mas também pode comprometer o desenvolvimento das chamadas habilidades socioemocionais, que dependem da interação entre as pessoas”. Na verdade, a escola precisa equilibrar as atividades on-line e off-line e capacitar os pais para estabelecer limites dentro de casa.

Não é indicado expor crianças de até dois anos à Internet. E após essa idade, é preciso moderar as interações em no máximo duas por dia (os jovens no Brasil passam, em média, três horas por dia navegando). Muitos indicadores já demonstram de forma clara os efeitos da hiperconectividade nas crianças, como dores de cabeça, irritabilidade, agressividade e queda de rendimento escolar, explica o neuropediatra Christian Muller.

Perigos da conectividade

– O grande acesso à informação e, consequentemente, a evolução acelerada do córtex e o atraso no desenvolvimento da inteligência emocional, pela falta de convívio real, podem gerar adultos imaturos.
– Aumento do nível de ansiedade e a dificuldade em se desligar do mundo virtual mediante a expectativa de deixar de ler uma mensagem, ficar sem crédito ou sem bateria.
– Atrapalhar a qualidade do sono.
– Questão de segurança e invasão de privacidade, superexposição da vida privada.
– Cyberbullying – 70% dos jovens ouvidos relataram terem sido ofendidos por uma ou mais pessoas em idade escolar.
– Fake news – Difamação e mentiras viralizadas.
– Bots – Robôs programados para se passarem por pessoas e interagirem de forma maciça na Internet.

Benefícios da conectividade

– Comunicação instantânea e interativa.
– Um mundo de informações disponíveis na Internet.
– Praticidade e ganho de tempo.
– Melhor acompanhamento do desempenho do aluno.
– Tornar as aulas mais atraentes e inovadoras.
– Ampliar a sala de aula para fora do horário e do ambiente escolar.
– Aumentar o diálogo com a família, em casa, sobre os assuntos tratados em aula.

O mais importante é construir com as crianças e os adolescentes o equilíbrio do uso. Ter tempo para o virtual e tempo para o presencial é essencial. A dependência do uso se dá quando não percebemos quando existe ou não necessidade de usar a tecnologia.

O corpo docente e a Internet – Diferente do mundo real, onde é raro o convívio entre os professores e alunos, as redes sociais proporcionam uma proximidade que necessita de certos cuidados. Em minhas palestras costumo enfatizar que os professores precisam ser exemplos a serem seguidos e que não existe diferença entre o mundo virtual e o concreto. O que não se faz no mundo real não se pode fazer na Internet. 

O hábito de gravar e filmar situações sem consentimento de ambas as partes e autorização prévia da justiça, apesar de ser ilegal, cresce de forma exponencial, causando estragos nas escolas, na vida conjugal e até no planalto central.

Geralmente, são nos momentos informais e com as pessoas mais próximas que “baixamos a guarda” e falamos o que não devíamos. Para uma instituição de ensino, pequenos equívocos expostos na Internet são rapidamente potencializados e podem causar grandes efeitos colaterais.

A culpa não é da Internet – Um dos maiores experts nos assuntos pertinentes ao mundo virtual, André Miceli, professor e coordenador de MBA e Pós-MBA em Marketing Digital da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Mestre em Administração pelo Ibmec-RJ, discorre em suas entrevistas e palestras que “apesar de modificar padrões de comportamento, vemos a repetição de algumas atitudes observadas desde o início da vida do homem em sociedade”.

Ele também explica que, fundamentalmente, três padrões de comportamento são percebidos na Internet: necessidade de pertencimento, julgamento e compartilhamento de cultura. “Que cada vez mais, as ações e atitudes da sociedade estão presentes no mundo virtual e não ao contrário. Não é um comportamento muito diferente do mundo fora da Internet”, explica o professor de Marketing Digital da FGV.

Christian Rocha Coelho
CEO Grupo Rabbit

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