O que é ser bilingue? – Parte 2

O que é ser bilíngue? – Parte 2

Resumidamente, a parte 1 deste texto tentou discutiu uma análise de definições controversas de Bilinguismo existentes tanto na literatura quanto no imaginário popular. Já a parte 2, foca em uma definição menos controversa e mais focada: Haugen (1969) diz que “Bilinguismo […] pode ser de diversos graus de conquista, mas é compreendido aqui por começar no momento em que o falante de uma língua consegue produzir frases completas e significativas na outra língua. Deste ponto, pode proceder através de todas as gradações até o tipo de habilidade que faz uma pessoa se passar por um nativo em mais de um ambiente linguístico.”

Sendo uma definição mais ampla, a qual permite que alunos em diferentes níveis linguísticos em sua segunda língua sejam considerados bilíngues – me refiro a níveis linguísticos de acordo com o CEFR (Common European Framework of Reference for Languages), criado em 2001 com o objetivo de medir o nível de compreensão e expressão numa determinada língua – a definição de Haugen nos permite dizer que a proficiência se torna mais importante na definição de bilinguismo do que outros fatores. Vamos analisá-la seguindo o CEFR.

Segundo o CEFR, existem seis níveis de proficiência: A1, A2, B1, B2, C1 e C2, sendo este último equivalente a um falante nativo.  Seguindo a tabela de auto avaliação disponível no site do Council of Europe¹(COE) de self-assessment, a qual descreve cada um destes níveis, um aluno no nível mais baixo de todos (A1) é capaz de:

Compreensão oral: Reconhecer palavras e expressões simples de uso comum relativas a si próprio, à sua família e aos contextos em que está inserido, quando lhe falam de forma clara e pausada.

Leitura: Compreender nomes conhecidos, palavras e frases muito simples, por exemplo em avisos, cartazes ou folhetos.

Interação oral: Comunicar de forma simples, desde que o seu interlocutor se disponha a repetir ou dizer por outras palavras, num ritmo mais lento, e lhe ajude a formular aquilo que gostaria de dizer. É capaz de perguntar e de responder a perguntas simples sobre assuntos conhecidos ou relativos a áreas de necessidade imediata.

Produção oral: Utilizar expressões e frases simples para descrever o local onde vive e pessoas que conhece.

Escrita: Escrever um cartão postal simples e curto, por exemplo, nas férias. É capaz de preencher ficha com dados pessoais, por exemplo, num hotel, com nome, endereço e nacionalidade.

Como se pode ver, mesmo um aluno A1 é bilíngue, uma vez que é capaz de “produzir frases completas e significativas” na língua alvo. Ele é capaz de compreender e interagir, seguindo alguns tópicos mais relacionados a si próprios, mas nem por isso menos significativos. Pois, se um aluno no nível mais baixo de proficiência pode ser considerado bilíngue, todos os outros níveis também o são, sendo que os tópicos de produção vão se ampliando e se rebuscando conforme o avanço no idioma.

A conclusão não pode ser outra: ser bilíngue é, de uma forma geral, conseguir produzir e compreender de forma significativa em uma língua que não a sua língua mãe, considerando o nível de competência/ fluência.

Adriana Monteiro
Coordenadora Pedagógica da 2Ways Bilíngue

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