Inteligência intrapessoal e a felicidade

Como deixar as pessoas felizes e motivadas ao meu redor se eu não estou feliz comigo mesmo? A resposta é muito simples: não é possível!

Pode parecer um pouco piegas e narcisista em um primeiro momento, mas Maslow, Jung e os modernos estudos da psicologia positiva (Martin Seligman) confirmam cientificamente o refrão da música dos anos 80 da banda Ultraje a Rigor – “Eu me amo, eu me amo. Não posso mais viver sem mim”.

Contrariando a psicologia tradicional focada nas doenças e problemas mentais, a psicologia positiva veio trazer um novo enfoque: abordar o que faz a vida valer a pena. É importante destacar que a psicologia positiva não desmerece, nem ignora a existência de problemas, dificuldades e transtornos, a questão é que seu olhar é outro.

 É um movimento científico que conta com estudiosos do mundo inteiro, desenvolvendo pesquisas que buscam comprovar cientificamente que o homem pode ser mais feliz e ter uma vida melhor.

Faça um exercício de autoanálise, escreva em um papel a resposta da pergunta: Qual foi o dia mais feliz da sua vida? É o momento de resgatar da memória de longo prazo os motivos que lhe fizeram muito feliz.

Estudos comprovaram que os alunos que realizaram este exercício no início de uma aula apresentaram um aumento de desempenho significativo. Faça o teste!

O que diferencia o ser humano dos demais animais é que nascemos para viver

e não somente sobreviver.

Mas, afinal, o que significa felicidade? Aprende-se? É possível alcançá-la? Como fazer isso? Também conhecida como emoções positivas e cientificamente como bem-estar subjetivo, a felicidade varia de acordo com cada pessoa. Porém, após anos de estudo, criaram-se métricas de autoavaliação que mensuram a felicidade individual.

Dois dos mais famosos questionários de avaliação do grau de felicidade são o Oxford Happiness Questionnaire desenvolvido por Michael Argyle e Peter Hills, da Universidade de Oxford (www.theguardian.com/lifeandstyle/2014/nov/03/take-the-oxford-happiness-questionnaire) e o Questionário de Personalidade Multidimensional de Tellegen (QPM) elaborado pelo Dr. David Lykken da Universidade de Minnesota.

Como já se sabe há algum tempo, o ser humano aprende, entre outras formas, fazendo a mesma coisa várias vezes. Através das modernas técnicas de escaneamento cerebral, é possível verificar que quanto mais praticamos, mais células corticais são ativadas.

Ao realizarmos atividades positivas, mesmo que consciente, como o elogio e a gratidão, liberamos dopamina e serotonina, hormônios ligados à alegria e motivação que condicionam o cérebro a ficar no estado de bem-estar.

As emoções positivas ampliam áreas do cérebro destinadas ao processo de aprendizagem, melhoram o foco da visão periférica, organização cerebral e facilitam a consolidação da memória de longo prazo.

Centenas de estudos asseguram que colaboradores felizes são mais produtivos, criativos, preparados para resolver problemas, mais eficientes em cargos de liderança e possuem maiores salários.

A recíproca é verdadeira se insistir no negativo, na reclamação e no pessimismo. Nesse caso, nosso cérebro se acostumará ao estado de estresse e ao medo, liberando doses exageradas de cortisol e adrenalina, hormônios que em excesso geram o estresse ao medo desenfreado e a tristeza.

O jornalista britânico Oliver Burkeman defende a tese de que devemos buscar equilíbrio, pois ninguém consegue ser feliz sempre. Precisamos nos autorizar a vivenciar emoções negativas, como raiva, tristeza e decepção. Não aceitar isso leva à frustração e à infelicidade. O que podemos fazer é não deixar que estes sentimentos se tornem uma rotina em nossa vida.

Meio ambiente – O local tem forte influência no estado de espírito das pessoas. Assim como fazem as empresas de vanguarda como a Google, é importante investir no ambiente da escola, por exemplo, a sala do professor. Segundo o neuromarketing, a cor verde afeta o córtex pré-frontal, ligado às decisões, pensamento abstrato e criativo, além de estimular as capacidades emocionais.

                         Gestos simples, como colocar um porta-retratos com as pessoas que ama na sua mesa, garantem uma dose de emoções positivas diariamente.

A Reunião de Pais e a Semana de Planejamento Pedagógico são momentos importantes de interação. O coffee break deve ser preparado com alimentos que liberam serotonina, que ajudam a promover o bem-estar. Estes devem ser consumidos com moderação.

  • Peito de peru – Possui triptofano – este aminoácido é um alicerce para o neurotransmissor serotonina.
  • Torta de banana – Rica em vitamina B, é recomendada como um meio de melhorar os níveis de energia e humor, combatendo a depressão.
  • Patês de atum e salmão – Contêm as gorduras EPA e DHA que reduzem as alterações de humor.
  • Pães e bolachas – Alguns dos melhores alimentos para aumentar a serotonina.
  • Ovos – Uma dieta que inclui alimentos ricos em colesterol bom aumenta os níveis de testosterona, o que melhora o humor e também aumenta os níveis de serotonina.
  • Bolo com cerejas – Esta fruta ajuda a induzir o relaxamento, atuando no suporte da função glandular adrenal.
  • Chocolate escuro – O cacau ajuda a liberar endorfina, que causa sensação de alegria, relaxamento e bem-estar.

Tal Ben-Shahar, professor da Universidade de Harvard, explica como aumentar os patamares de felicidade em seu livro “Seja mais feliz: Aprenda a ver a alegria nas pequenas coisas para uma satisfação permanente”.

  • Saber ouvir – Um bom ouvinte estimula as pessoas a falarem sobre elas e, consequentemente, permite conhecê-las. Todo mundo gosta de atenção. Mas é importante deixar claro que você não estará sempre disponível. Para ser interessante seja interessado.
  • Peça desculpas – Caso tenha feito ou dito algo e se arrependeu.
  • Gratidão – É um elixir que propicia momentos de alegria que se perpetuam ao longo do dia. Anote na agenda, no final de cada dia, todo agradecimento que fizer. Após três meses, se tornará um hábito.
  • Bondade – Boas ações geram boas ações.
  • Crie expectativas – Estudos demonstram que ocorre um aumento de cerca de 30% de endorfina quando esperamos algo interessante, como se programar para ir ao cinema assistir a um filme aguardado.  As expectativas ativam padrões cerebrais equivalentes ao acontecimento verdadeiro. Deixe as coisas boas para o final do dia na hora de fazer a sua agenda.
  • Programas de TV, games e celulares – Cuidado com o excesso. A excitação gerada por estímulos negativos, mesmo que não reais, liberam doses de adrenalina e cortisol no cérebro.
  • Exercícios – Liberam substâncias indutoras do prazer, como a endorfina.
  • Experiências positivas – Ganhos materiais causam sensações mais efêmeras. As vivências produzem emoções positivas significativas e por mais tempo.
  • Exercite seus pontos fortes – Todo mundo é bom em alguma coisa – utilizar suas habilidades de forma plena aumenta o foco, a autoestima e a segurança.
  • Convívio social – Somos essencialmente animais sociais. Sempre que trocamos energia social agradável liberamos oxitocina, o hormônio do amor que proporciona a sensação de prazer, acolhimento e proteção.

Exercício: ligue neste momento para um amigo ou familiar que você não tem contato há algum tempo e pergunte sobre ele, a família e o trabalho.

  • Música para os ouvidos e para o coração – No livro Healing at The Speed of Sound – “A Cura com a Velocidade do Som”, os pesquisadores Alex Doman e Don Campbell reúnem provas sobre a influência da música na saúde do corpo e da mente.

A música expande os vasos sanguíneos, melhora a circulação e o sistema imunológico pelo aumento da produção de imunoglobulina, hormônio que ajuda o corpo a combater doenças. Também há o aumento de endorfina, o que reduz o estresse.

Christian Rocha Coelho

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