Os benefícios do bilinguismo na infância

É inegável que o ensino bilíngue passa por uma grande expansão no Brasil. Muitas escolas regulares têm adotado programas bilíngues ou matérias em um segundo idioma no seu currículo, e a tendência é esse crescimento continuar nos próximos anos.

Como educador e treinador de professores, essa explosão de bilinguismo é motivo de regozijo. Não é exagero dizer que pessoas plurilíngues são mais bem preparadas para lidar com o mundo do que pessoas monolíngues; e isso não ocorre apenas pelas maiores chances no mercado de trabalho.

Ao ter contato com idiomas, o cérebro lida com previsões. Ao ouvir o começo de uma palavra ser pronunciada, o cérebro tenta, pelo contexto, prever o final dessa palavra e quais próximas palavras serão ditas em sequência. Por exemplo, em uma conversa sobre sobremesas, ao ouvir a primeira sílaba “pa”, o cérebro provavelmente ativará as palavras “paçoca” ou “panetone”. De acordo com a Doutora Viorica Marian, para pessoas bilíngues essa ativação não é limitada a um único idioma; o estímulo auditivo ativa palavras correspondentes independentemente do idioma ao qual elas pertencem. Portanto, ao ouvir o “pa”, uma pessoa bilíngue em português e inglês poderia, além de “paçoca” e “panetone”, ativar “pastry” ou “parkin”.

Isso exemplifica o tipo de relação entre duas redes neurais de um cérebro bilíngue: as duas redes neurais em pessoas que falam dois idiomas se comunicam o tempo todo. Um cérebro bilíngue tem mais sinapses do que um cérebro monolíngue, o que permite à pessoa bilíngue uma série de vantagens.

Para crianças, no processo de neuroplasticidade, essas vantagens tendem a ser potencializadas. Não é imediatamente visível, mas o cérebro de uma criança exposta a dois idiomas absorve muitas informações que o ajudam a tornar-se mais forte e inteligente. Aqui estão alguns benefícios que o bilinguismo traz para crianças:

– De acordo com um estudo realizado pelos cientistas cognitivos Ágnes Melinda Kovács e Jacques Mehler, pessoas bilíngues tendem a ser mais criativas do que seus colegas monolíngues. O mesmo estudo indica que o raciocínio e desenvolvimento da lógica para crianças bilíngues são potencializados.

– De acordo com a psicóloga Rebeka Jávor, crianças bilíngues tendem a ser mais empáticas.

– De acordo com o psicólogo Jonathan W Pesner, crianças bilíngues são mais autoconfiantes.

– Segundo a neurologista Suvarna Alladi, falar mais de uma língua desenvolve partes do cérebro conectadas a funções executivas. Em curto prazo, a criança bilíngue tem a memória fortalecida, assim como seu autocontrole e flexibilidade mental. Em longo prazo, esse desenvolvimento cerebral pode atrasar doenças cerebrais, como Alzheimer, em até 10 anos.

Esses são apenas alguns dos benefícios apontados em crianças a partir de sete meses de idade, mas é importante saber que eles se mantêm para toda a vida. Falar um segundo idioma é uma ótima ferramenta para formar cidadãos do século XXI.

Fernando Ferreira
Coordenador Pedagógico 2WAYS

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